
Até aí, tudo muito bem, tudo muito bom. É sempre interessante reunir realizadores em torno de um tema comum, mas sem apelar para a obviedade: os três episódios não se interconectam, o que faz de Tóquio a única suposta linha a uní-los.
O episódio dirigido por Carax - Merde - é, de longe, o mais interessante. Uma figura estranha, misto de corcunda e eremita, sai dos bueiros da cidade e percorre as ruas atacando pedestres. Rouba cigarros e sanduíches, aterroriza passantes e retorna aos subterrâneos da cidade. A "criatura" acaba capturada pela polícia. Ninguém entende a língua estranha que fala, a não ser um intérprete. Através deste, a "criatura" dispara virulência contra a cidade e seus habitantes, especificamente contra a parcela feminina. Pela estranheza, comum nos filmes de Carax, o episódio se destaca.
Os outros dois segmentos - Interior Design, de Michel Gondry, e Shaking Tokyo, de Bong Jo-hoo - escoram-se no talento de seus diretores.
Gondry desfia um espetáculo visual delirante para falar de um jovem casal à procura de um apartamento. Tendo em mãos uma estória convencional, o diretor aproveita e explora as mudanças psicológicas e físicas de dois jovens com aspirações artísticas em processo de amadurecimento.
Shaking Tokyo, por sua vez, é amostra cristalina do talento do diretor de O Hospedeiro (2006) e do brilhante Memórias de um Assassino (2003). Um homem - o termo em japonês é hikikomori - torna-se um eremita, vivendo basicamente de pizzas entregues em sua "caverna". Como sói acontecer, um belo dia, ele é arrancado do isolamento por uma linda entregadora, por quem se apaixona, e se vê forçado a sair de casa enquanto o restante da população se refugia por conta de um terremoto.
A irregularidade de Tokyo! está no simples fato de que não há como unir três vertentes - e três maneiras de fazer cinema - tão díspares e esperar que, juntas, elas façam sentido. O longa é uma epxeriência curiosa, daquelas que deveos ter uma vez. E uma vez apenas.
Tokyo! (Tokyo!)
França, Alemanha, Japão e Coréia do Sul. 2008, 112 minutos.
Direção: Michel Gondry, Leos Carax e Bong Jo-hoo


























